segunda-feira, 23 de janeiro de 2012

A Fuga - Parte 1

Os primeiros pingos de chuva acordaram-me, ainda estava caído no mesmo lugar. Era como um pesadelo constante, a fadiga me derrubara noite passada, mas eu sabia que eles ainda estavam atrás de mim.

Dois dias atrás:

Prisão de segurança máxima.

O dia começara de forma agradável, ia ser transferido para Death Valley – nome interessante não acham? – Depois de passar seis anos em Arkran, decidiram que meu sofrimento ainda não era o bastante.
Era hora do ‘banho de sol’ quando recebi a notícia. Um dos guardas se aproximou e disse que tinha uma surpresa. Acertou-me com o cassetete e pronunciou as seguintes palavras:
- Hoje é seu dia de sorte, vai ganhar festa de despedida. – o que significava que os outros guardas iam fazer o mesmo que ele. Bater.
Levantei-me e olhei em volta, na tentativa de entender o que estava acontecendo. Os outros me encaravam de forma estranha, como se fosse um dos piores aqui. Procurei por Krank – rato de cadeia. – para conseguir informações, mas nem ele teve coragem para falar comigo. Pareciam assustados, mas a questão era “Por quê?”
Seis guardas se posicionaram na saída do pátio ao termino do horário. Observei-os por alguns momentos e vi que a atenção deles era minha. Caminhei em direção a eles sabendo o que iria acontecer.
Quando acordei, estava pendurado por uma corrente no meio de uma sala escura. Os guardas estavam posicionados ao meu redor e o Diretor Barnes ao centro. Estavam todos sorrindo. Podia ouvir o som dos grilos do lado de fora, o silêncio dos presos era aterrorizante. Sempre que alguém era torturado. Faziam isso para marcar quanto tempo o infeliz durava.
- Acordou? – disse o diretor se aproximando. – estamos aqui para nos despedir de você.
- Parece feliz com minha partida... – respondi.
- Mais do que imagina, 4100 – eles nunca pronunciavam meu nome.
A surra durou cerca de três horas. Sentia meu corpo completamente quebrado, mas enquanto eles recuperavam o fôlego eu também tinha esse tempo.
Acordei algemado em um comboio. Pela janela podia ver que que estava escurecendo, devo ter apagado por cerca de oito a dez horas. Os policiais que conduziam estavam conversando sobre a luta do dia anterior o que me vigiava comentava algo a respeito vez ou outra. Pareciam saber que não daria trabalho para eles. - não depois da surra.
O interessante era que meu corpo não parecia tão afetado, eu podia me mexer. Preferi manter-me na posição que estava, para não dar motivos para continuarem o que os outros deixaram mal feito.
- Você ainda está dormindo? - perguntou o que me vigiava.
Não respondi.
Ele me chutou para ter certeza que estava desacordado. Foi quando agarrei sua perna e o derrubei. Eles deviam acreditar que eu estava mal, por isso não me prenderam como deviam. - imbecis. - Sufoquei-o com a corrente, mas esqueci de imobilizar as pernas. Que ele usou para alertar os companheiros chutando a a janela de comunicação. - aquelas que tem a grade. - e no mesmo instante o carro parou.
Preparei-me para o pior. Sabia que quando eles vissem o colega morto iam atirar sem aviso. Carreguei o guarda apagado e o posicionei em frente a porta para que pudesse empurrá-lo contra os outros.
Eles abriram a porta e foi o que fiz, eles foram ao chão. Pulei em cima do primeiro que tentou sacar a arma e o apaguei usando as algemas - cara aquilo doeu muito. - chutei a arma do outro para longe e comecei a correr. Já era noite.
Ainda assim, as coisas pioraram.
Senti algo quente nas costas e cai. Me acertaram. Juntei forças para poder manter a consciência, levantar e seguir caminho. Então ouvi o primeiro grito. Virei-me para trás e vi algo em cima de um dos guardas, era do tamanho de uma pessoa, mas a pele era branca. Os olhos vermelhos me fitaram por uma fração de segundos e naquele instante entendi que devia continuar correndo.
Ouvi mais tiros e outro grito. Era o segundo. Corri o mais rápido que eu pude eté chegar a um rio. Lancei-me nele e segui a corrente. - tática de sobrevivência. - Nadei até a margem muitos metros depois e logo em seguida parei para descansar.
Aquela foi a primeira vez que realmente senti medo.
Lembrei que precisava de um médico o mais rápido possível, já que havia sido atingido. Levantei com um esforço absurdo e continuei a caminhar. Tentei não pensar no que havia visto e concentrei-me em encontrar algo para comer.
Havia algumas ervas e frutas locais que podiam ser colhidas, mas não tive muito tempo para saborear nada, ouvi algo pular no rio, o que fez meu coração disparar. Engoli o que tinha colhido e voltei a correr.
Corri as margens do rio usando a vegetação próxima como cobertura, seja o que fosse, estava atrás de mim. E eu nem queria imaginar o que havia acontecido com os policiais. Após algum tempo resolvi entrar no rio e deixar que a correnteza me guiasse para poupar forças. Por sorte não haviam piranhas ali ou o sangue que meu ferimento insistia em jorrar já teria me entregue a elas.
Não sei quanto tempo passei na água, mas quando sai estava quase congelando e o dia estava raiando. Procurei ingredientes para uma fogueira e em seguida dormi.

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